Dicas e informações sobre o planejamento da viagem pelo Marrocos (Marrakesh)

Nesse post quero escrever um pouco sobre o planejamento da viagem pelo Marrocos: sobre a escolha da acomodação (Medina ou Centro, hotel ou ryad), sobre traslado e locomoção em geral além de escrever algumas outras dicas e informações básicas que considero importantes sobre Marrakesh.

Hospedagem em Marrakesh – O Ryad onde nos hospedamos (Na Medina)

Na verdade não foi difícil definir que queríamos nos hospedar na Medina e em um Ryad, foi praticamente uma imposição minha, eh claro 🙂 A Marrakesh da minha expectativa tinha todas aquelas coisas exóticas e conforme você começa a pesquisar sobre hospedagem em Marrakesh os ryads são tão charmosos que é impossível resistir. Sem falar que também são, em geral, lugares pequenos onde você poder ter contado com as pessoas do local.

Ryad Nana - terraço

Ryad Nana – terraço

Optando por um Ryad você não tem escolha, 90% deles, talvez mais, estão dentro da Medina. O contrário também parece ser verdadeiro, quase todos os hotéis estão localizados fora da Medina. Ficando dentre da Medina você poderá fazer quase tudo a pé, ficando no centro e, dependendo da localização, pode ser conveniente utilizar um taxi. De qualquer forma tudo no Marrocos é muito barato e com os taxis não é diferente.

Reservei o aéreo com antecedência, voei com a RyanAir a partir de Dublin.  No entanto, no dia em que fui fazer a reserva da hospedagem todos os ryads que tinha gostado já estavam lotados ou fora do meu budget. Tinha gostado muito do Dar Sara, se ele não estivesse lotado teria me hospedado nele com certeza. Minha segunda opção era também a dica do meu primo, uma riad muito classudo, o Alwachma. Mas também, infelizmente, já lotado. Para permanecer dentro do budget que tinha pré-definido fui obrigada e me afastar um pouco do mais do centro da Medina do que tinha planejado inicialmente. O riad escolhido foi o Ryad Nana.

Riad Nana

Riad Nana

No final das contas achei que foi ótimo. Esse Ryad apesar de distante (15 minutos caminhando do centro da Medina) está localizado ao lado de uma das portas de entrada da Medina, que também fica muito próxima ao centro. Usar o traslado do aeroporto, assim como táxis foi fácil. Caminhar até a rodoviária e aos Jardins Majorelle também.

Ryad Nana

Ryad Nana

Gostei bastante do riad. Ficamos em um quarto térreo, voltado para o jardim. Tudo muito limpo e confortável.

Ryad Nana - jardim central

Ryad Nana – jardim central

A decoração era bem da Marrakesh das minhas expectativas, assim como o ambiente do hotel.

Riad Nana - quarto

Riad Nana – quarto

O quarto tinha um sistema de aquecimento por ar-condicionado. Ligamos à noite quando a temperatura caía bastante. Como o ar aquecia somente o quarto, o banheiro era bem frio. Talvez em dias mais frios isso possa ser um problema, no entanto, pelo que pesquisei não parece haver temperaturas mínimas mais frias que as que presenciamos. Fomos no final de fevereiro, as máximas ficaram entre 22 e 18 e mínimas entre 10 e 8 graus célsius.

Ryad Nana - quarto

Ryad Nana – quarto

Tinha lido excelentes recomendações sobre o café da manhã do riad e eram todas verdadeiras. O café era delicioso. Cada dia servido em uma parte diferente do riad, um cantinho especial com uma decoração fofa.

Rayd Nana - café da manhã

Rayd Nana – café da manhã

O que me decepcionou um pouco foi o terraço. Pelas fotos que vi no Booking, achei que fosse maior. Outro problema dele é que os muros são altos então não é que a vista era das melhores.

Todas as pessoas foram muito atenciosas conosco. Acho que pelo preço que pagamos – 117 euros por três noites de hospedagem com café da manhã – O Ryad Nana oferece um excelente custo x benefício.

O mais difícil foi gravar o caminho do Ryad até a praça Jeema el-Fna mas depois que você faz a primeira vez isso deixa de ser um problema. Nossa primeira vez foi justamente no dia em que chegamos, à noite. Aproveitamos a carona da gerente do ryad; que na verdade estava justamente nos esperando para nos indicar o caminho. Ela caminhou com a gente até a praça e nos deu indicações para que nos orientássemos de uma maneira mais fácil.

Como tinha lido que era muito fácil perder-se na Medina não estava nem sequer cogitando a hipótese de sair do ryad na noite em que chegamos. Também tinha lido para tomar cuidado com as pessoas que se oferecessem para indicar o caminho pois era comum que pedissem dinheiro pela “orientação”. E ai de você se não desse!

Essa atenção dela foi sem dúvida um diferencial. A caminhada foi tranquila e perturbadora ao mesmo tempo. Em boa parte do trajeto motos são autorizadas a transitar então você tem que ficar atento. Elas passam voando, não existe muita regra de trânsito. Além disso, algumas pessoas tentam puxar assunto, quase que gritando e gesticulando com você, #ondefuimemeter. A gerente do nosso riad recomendou que nos fizéssemos de desentendidos. Na verdade até ela se fazia enquanto caminhava com a gente e as pessoas puxavam assunto com ela.

Ela caminhava rápido e eu fiquei pensando: gente, será que isso tudo aqui é muito perigoso? Sabe como é: cabeça de brasileiro em ambiente caótico remete à violência, não adianta, carregamos com a gente os medos com os quais convivemos no Brasil.

Voltar da Medina para o hotel foi como percorrer um labirinto. Nos pontos em que teria me perdido com certeza meu namorado sabia para que lado ir e vice-versa. Como voltamos tarde não tinham muitas pessoas pelo caminho então se nos perdêssemos nossa opção era ligar para o hotel mas não foi necessário. Depois da primeira noite as demais foram mamão com açúcar, passamos todos os dias pelo senhor que gritou com a gente no primeiro dia. Depois fiquei me sentido mal por ter tido medo de uma pessoa que na realidade era enferma.

Traslados e Locomoção em Marrakesh

O traslado do hotel ao aeroporto foi contratado com o próprio riad. Para a chegada nem pensamos duas vezes, não queríamos negociar com taxistas no aeroporto. Gostamos muito do motorista enviado pelo hotel. Ele foi muito solícito e deu várias dicas. Tinha um inglês ótimo e isso ajudou muito. Dessa forma decidimos que também voltaríamos com ele ao aeroporto. Essa traslado nos custou sete euros por pessoa, cada trecho. Foi o jeito que achamos de agradecer ao motorista, que esperou mais de duas horas por nós no dia em que chegamos devido à lentidão da imigração no aeroporto.

Marrakesh - aeroporto

Marrakesh – aeroporto

Nas demais situações caminhamos ou utilizamos taxis. Sempre parávamos o taxi e negociávamos o preço. Foram poucas corridas mas o pessoal do hotel sempre dava uma ideia do custo para que conseguíssemos negociar. Seguem alguns valores para dar uma ideia:

  • do hotel até a estação ferroviária – 2 euros;
  • do centro até o hotel – 5 euros (nesse dia chovia muito e faltava taxi, isso explica o ágio);
  • dos Jardins Majorelle até o centro – 2 euros.

SOBRE O MACHISMO NO MARROCOS

São poucas mulheres trabalhando ou passeando quando se compara com a quantidade de homens. À noite, na praça, grupos e mais grupos de homens conversando, cantando e dançando e você fica se perguntando: onde estão as mulheres? Como será a vida delas?

Outra coisa que é um desrespeito é a forma como agem quando veem mulheres vestidas com roupas “ousadas”. Vi uma cena que achei ridícula: a menina caminhava de mãos dadas com o namorado e um marroquino atrás dela praticamente “encoxava” a moça. O casal nem se deu conta, ainda bem, porque nem adiantaria arranjar confusão por causa disso. Enquanto ele fazia aquela posição quase de yoga acenava para os demais amigos fazendo caras e bocas. Terrível.

COM QUE ROUPA IR AO MARROCOS

Sem dúvida a cena acima não teria acontecido se a menina, que já tinha um corpo avantajado, tivesse vestido roupas mais discretas. A roupa dela era extremamente justa até para padrões ocidentais, sem falar nas transparências. Enfim, cada uma saber a dor e a delícia de ser o que é.

Eu já tinha passado por algumas experiências chatinhas na Turquia por alguns erros ao me vestir. Como o ambiente no Marrocos não é o mesmo, a Turquia na época estava no auge do turismo e carregava a fama de uma cidade onde todos os costumes e religiões conviviam em paz, cuidei ainda mais desta vez. Como não estava muito quente não foi tarefa difícil. Na Turquia e em Dubai passei mais dificuldade em função do calor.

Usei leggings e coloquei blusas de comprimento longo por cima. Blusas sempre de manga no mínimo curta e sem decotes. Como à noite a temperatura caia bastante levei um cachecol grande que virava ou um casaco ou mesmo um lenço. Mantive sempre o cabelo preso, quando fora das atrações turísticas, porque sei que os lenços são para cobrir o cabelo, que é considerado muito sexy.

Também cuidei o comportamento, nada de andar de mãos, beijinhos para cá e para lá. Enfim, coisas que sei que desrespeitam a cultura deles. Aqui não entro no mérito se é certo ou errado, acho que é uma questão de respeito com o país que você decidiu visitar.

CURIOSIDADE – VIAGEM DETOX

Essa foi a viagem menos etílica da minha vida. Na verdade não bebi nada de álcool, zero. Só me dei conta disso no último dia e depois entendi porque o povo estava bebendo muito no voo de ida. Pelo que andei lendo não é que as pessoas não bebem mas isso não salta aos olhos também.

Como fizemos a maioria das refeições na praça Jemaa el-fna ou arredores e nesses locais não eram vendidas bebidas alcoólicas, acabamos não bebendo. Ao circular pela medina você também não encontra pub ou bares que te atraem para beber álcool. O consumo é mais forte nos restaurantes de padrão internacional e como sempre íamos neles para um café nem cogitávamos olhar o cardápio. A consequência foi uma viagem regada a chá de hortelã. Ele está por tudo e eu curti demais para compensar a falta do chimarrão. Mais detox impossível!

Chá de Hortelã em Essaouira no Marrocos

Chá de Hortelã em Essaouira no Marrocos

DINHEIRO E CAMBIO EM MARRAKESH

Li em algum lugar que era conveniente trocar dinheiro no próprio aeroporto. E foi o que fizemos. Olhamos a cotação da moeda local (dirham) em relação ao euro antes de viajar. Quando chegamos e verificarmos que o spread no aeroporto não era abusivo fizemos o cambio ali mesmo. Trocamos pouco dinheiro, basicamente para os gastos com taxis, alimentação e museus. O Marrocos é um país muito barato e esses gastos não foram altos. Acaba que mesmo que o spread seja um pouco alto talvez não compense o risco e o tempo que você perderá para fazer esse câmbio no dia seguinte.

Não pagamos nada com cartões de crédito ou débito. O hotel e os traslados pagamos em cash (euro) no momento do check-out.

SOBRE COMER OU NÃO COMER NA PRAÇA JEMAA EL-FNA

Nós comemos praticamente de tudo que tinha ali. E nada nos fez mal. Mas entendo perfeitamente as restrições de cada um e é justamente por isso deixo meu relato. Acesse ele nesse post aqui!

SOBRE SEGURO DE VIAGEM

Como comentei essa foi uma viagem curtinha, que fiz a partir de Dublin com a RyanAir. Paguei pouco e optei por pagar com meu saldo PayPal. Como era uma viagem que não poderia usar o seguro do cartão de crédito e que possuia um certo risco em função dos fatores de higiene e do fato que eu sabia que ia me acabar nos quitutes do mercado noturna da Jemma ef-Fna, optei por contratar um seguro de viagem.

seguro_viagem_africa_200x200

Meu escolhido, foi o seguro para Africa da Asist Card (AC35), da Real Seguros. Comprei pelo site, paguei com o cartão do Brasil, em 6 parcelas de aprox. 11 reais. Na época estava um pouco mais caro em função da cotação do dólar. Não esqueça da importância do seguro de viagem ao planejar sua viagem pelo  Marrocos.

E você, já foi para Marrekesh, se hospedou em algum Ryad ou tem dicas para os demais viajantes? Deixe seu comentário aqui!

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3 comentários sobre “Dicas e informações sobre o planejamento da viagem pelo Marrocos (Marrakesh)

  1. Kamylla Prado disse:

    Infelizmente não consegui visitar Marrocos ano passado por questão de planejamento mesmo, na época deveria ter pesquisado mais nos blogs. Agora estou planejando melhor para o ano que vem e adorei suas dicas aqui.

    Parabéns pelo blog.

    vidaemserie.com

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