Viagens de Esqui: O que levar na mala quando for esquiar

O objetivo deste post é listar aquilo que entendo que não pode faltar na sua mala ao planejar uma viagem de esqui. Escreverei sobre as roupas e acessórios que são importantes, alguns indispensáveis, para garantir sua tranquilidade enquanto desfruta sua temporada na neve. Quando falo que não pode faltar na mala não interprete isso como “tenho que comprar tudo antes de esquiar” mas de repente planeje uma parada para umas comprinhas antes, tente emprestar de um amigo, tenha claro quais seriam alguns substitutos adequados e o que se deve/pode alugar nas estações de esqui.

Eu sei que sei a temporada de esqui 2016 no hemisfério sul já está na metade e esse post mais do que atrasado. No entanto, foram tantas dúvidas nessa temporada sobre o tema que já estava mais do que na hora escrever sobre ele. E de qualquer forma, muitas “semanas brancas” virão pela frente não é mesmo? Coisa boa!

Roupas para esqui - evolução

Roupas para esqui – evolução

Para facilitar vou dividir em itens de acordo com os membros do nosso corpo.

roupas e acessórios para esqui: Cabeça

Para proteger a cabeça a melhor coisa é o capacete. Demorei a incluí-lo na minha indumentária “esquiística” mas hoje o considero indispensável. Senti falta conforme meu esqui evoluiu e alguns tombos ficaram sérios.

Roupas para esqui - Capacete, gorros e lenços

Roupas para esqui – Capacete, gorros e lenços

Apesar da questão da segurança, o capacete também esquenta a cabeça e os ouvidos melhor do que gorros, lenços e protetores de orelha além de proteger mais da neve do que o gorro da jaqueta. A vantagem é que hoje em dia ele pode ser alugado com facilidade junto com seu equipamento de esqui. Então não tem desculpa 🙂

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A Estação de Esqui de Pila – Ski in the Sky

Como comentei no post anterior, sobre Aosta, resolvi escrever sobre meu destino na páscoa do ano passado, o Valle d’Aosta. Eu e meu namorado aproveitamos o feriado prolongado para dar a última esquiada da temporada 2012 e o destino escolhido foi Pila, uma localidade/estação de esqui localizada a 18 minutos, em cabinovia, da capital da região do Valle d’Aosta, Aosta.

As pistas, a estação e Aosta ao Fundo

As pistas, a estação e Aosta ao Fundo

Enquanto no Brasil a Páscoa encerra a temporada de verão, na Europa acontece justamente o contrário, ela encerra a temporada de inverno. É praticamente a data limite de fechamento de quase todas as estações de esqui. E para nosso deleite, Pila, diferentemente de outras estações próximas, ainda estava com um número razoável de pistas abertas e com muitos lifts e refúgios em funcionamento.

Eu não desconhecia Pila totalmente, já tinha lido sobre ela quando estava pesquisando sobre estações de esqui de fácil acesso. Na época como tinha mais tempo escolhi Sauze d’Oulx (também muito fácil de ser acessada) por ser maior. Pode não parecer mas às vezes a demora em chegar e voltar de uma estação de esqui faz toda a diferença quando se tem pouco tempo. Essas pequenas cidades ou estações/resorts tendem a ser encravadas no meio de Alpes e dificilmente tem aeroportos, então você acaba tendo que ir até um aeroporto próximo e depois tendo que se deslocar de trem ou ônibus quando não trem+ônibus.

Como já comentei no outro post sobre como chegar em Aosta/Pila, aqui vou deixar um resumo. Fui de Roma ao aeroporto de Turim como a Blu-Express, do aeroporto de Turim peguei um ônibus até a estação de trens de Torino Porta Susa e de lá outro ônibus para Aosta. De Aosta foram 15 minutos à pé até a cabinovia que em 18 minutos me levou à Pila. Sem contar a parada que fiz em Aosta, o trajeto do aeroporto de Turim à Pila levou aprox. 3 horas. Dei falta de sorte ao perder por poucos minutos o ônibus que partia diretamente do aeroporto porém fora isso peguei todas as conexões sem grandes tempos de espera.

Estacionamento e Estrutura da Cabinovia

Estacionamento e Estrutura da Cabinovia

Bilheteria da Cabinovia

Bilheteria da Cabinovia

Bilheteria da Cabinovia

Bilheteria da Cabinovia

Optamos por ficar hospedados na montanha, direto em Pila. Ficamos no hotel Pila 2000, reservado através do Booking.com. Gostei bastante do quarto e do serviço, todo o pessoal muito simpático e animado, animado mesmo com serviço de animação durante o dia e à noite. Achei o hotel agradável, o quarto muito bom, o café da manhã também e todas as dependências muito bonitas e limpas, diria que um 3 estrelas completo, só faltou uma sauninha ou piscina aquecida ou ambos, coisas do tipo que confesso adorar para deixar o cansaço do esqui de lado.

Foram 4 dias no Valle d’Aosta e três dias de esqui. Ficar em Pila foi super prático por ali você tem o que eles chamam de total esqui. Você acessa as pistas à pé de qualquer lugar do Vilarejo em que esteja. No fim é o mesmo que ski in/ski out ou sci ai piedi em italiano.

Como meu voo para Roma partía de Turim no quinto dia muito cedo, optei por dormir próximo ao aeroporto de Torino Caselle, na cidade de Caselle, optei pelo hotel Pacific e gostei. A reserva também foi feita através do Booking.com. Um hotel estilo business, com necessidade de mordernização porém com um preço adequado ao que oferecia. Do hotel ao aeroporto, de taxi, foram 10 minutos e 12 euros. Muito cômodo!

O vilarejo/estação de esqui como um todo tem um tamanho mediano, de médio para pequeno. Achei ótimo para três dias. Não sei os números ao certo mas contei por alto uns 5 hotéis, 5 restaurantes, 1 bar/sorveteria, 2 supermercadinhos, 3 lojas de aluguel de equipamentos e em torno de 5 prédios de moradores (onde é possível alugar aptos por temporada).

Em geral a estrutura parece um pouco demodê, não é aquele tipo de arquitetura de montanha que acho que é sempre charmosa. Era mais para algo: alguém quis dar uma de Niemeyer e ficou esquisito depois de um tempo…risos! Perdoem-me os entendidos de arquitetura please.

Prédios em Pila

Prédios em Pila

Prédios em Pila

Prédios em Pila

A quantidade de pistas achei adequada para 3 dias, mesmo com uns 30% da estação já fechada. Os meios de elevação/lifts, não eram tão rápidos quanto gostaria e alguns precisam ser modernizados pois são para poucas pessoas. Se naquele final de temporada tinha fila fico imaginando no alto da estação.

Pista em Pila

Pista em Pila

Os refúgios eram bons e estavam em pleno funcionamento.

Refúgio

Refúgio

Pila também não é uma estação de esqui cara. Alguel e aulas de esqui custavam menos por ali. Falando com um senhor dono de uma das lojas de aluguéis descobrimos inclusive que muitos franceses optam por esquiar ali porque as estações francesas próximas costumam ser mais turísticas e ageadas.

Pila é sem dúvida paraíso de esquiadores intermediários, com muita pistas vermelhas. Acho que atende com boas pistas, apesar de poucas, a quem está començando e talvez deixe a desejar aos mais experts. Clique aqui para acessar o mapa das pistas.

A vista do cume da montanha, início de uma das pistas pretas era linda, de um lado a estação com a cidade de Aosta mais ao fundo, de um outro o cume das montanhas ao redor.

Literalmente Ski in the Sky

Literalmente Ski in the Sky

No topo da Montanha, acesso a pista preta

No topo da Montanha, acesso a pista preta

Vista dos Alpes do Topo de Pila

Vista dos Alpes do Topo de Pila

O que fez essa viagem de esqui totalmente diferente das outras foi o tal do esqui de primavera, sci primaverile, como é chamado na Itália, o famoso esqui de final de temporada. Nunca tinha esquiado nessa época e estava curiosa. A verdade é que é muito diferente. Eu praticamente reaprendi a esquiar já que não possuo tanta técnica para me adaptar a diferentes terrenos.

Na foto acima dá pra ver que no lado direito, onde pega muito sol, já não tem mais neve enquanto no esquerdo o cenário é outro. Nas demais fotos também é possível ver que na parte mais baixa de Pila, onde ficam hotéis, restaurante e prédios a quantidade de neve também é pouca.

Funciona mais ou menos assim: Como a noite ainda é bastante fria, a neve, que no final do dia anterior tinha quase virado água, congela e com o calor do passar do dia esse gelo vai derretendo. Assim, de manhã cedo  a neve é muito lisa e escorregadia, uma camada fina e dura de gelo que cobre toda a pista, e, ao longo do dia, esse gelo vai derretando e ficando com uma consistência muito macia, uma sopinha 🙂

Além do fenômeno ser mais forte nas pistas mais baixas, já que a temperatura varia mais ao longo do dia, a sopa também vai piorando conforme as pessoas vão passando. Assim, como nas pistas inferiores a circulação é maior, no final do dia é um espetáculo de tombos. Nesse caso quando falo em pistas mais baixas já estou me referindo àquelas não tão baixas assim porque as bem baixas mesmo já não tinham mais neve. A dica aqui é esquiar nessas pistas primeiro e só passar pela sopa de novo na hora de encerrar os trabalhos.

Esse fenômeno faz com que o dia de esqui fique mais curto. Se por um lado sobra luz natural e a tendência é de dias ensolarados e pistas abertas, por outro o tempo de esqui confortável, na minha opinião, é reduzido para um período entre às 09:30 da manhã e às 15 da tarde. Para os mais fominhas a dica é parar pouco já que passa rápido. Outra dica importante é não exagerar na roupa. Eu usava só a base layer por baixo da jaqueta e nada de base layer por baixo das calças. Também abri mão do gorro, troquei por um lenço, e usava um cacheçol mais leve. O óculos de sol, tem de ser de mesmo mesmo, não usei em nenhum dia meu óculos para dias nublados.

Além disso, essa época é baixa temporada e o preço do passe para esquiar costuma reduzir bastante. Ah, quem tem o passe válido tem o acesso à cabinovia Aosta-Pila gratuito.

Como nem só de esqui vive o turista termino esse post com três delícias da região que provei nos restaurantes de Pila. A primeira, um crepe da Pizzeria La Piazzeta. Impossível não notar aqui também a influência francesa.

Crepe - Pizzeria La Piazzeta

Crepe – Pizzeria La Piazzeta

A segunda uma tartiflette da Brasserie Du Grimond e a terceira, e melhor, também da Brasserie Du Girmond, um maravilhoso fondue.

Tartifeltte - Brasserie du Grimond

Tartifeltte – Brasserie du Grimond

O melhor desse fondue é que ao invés de pão se molhavam polentas em um creme de queijo fontina, outra iguaria local. Achei a idéia genial e é claro, já copiei!

Foundue - Brasserie du Grimond

Foundue – Brasserie du Grimond

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Aosta – Onde a Itália tem cara de França

Com a páscoa chegando resolvi escrever sobre meu destino na páscoa do ano passado, o Valle d’Aosta. Meu destino final era a Estação de Esqui de Pila e no caminho passei pela cidade de Aosta, capital da região Valle d’Aosta. Como Aosta é um ponto de parada para quem vai à Pila acabei passando algumas horas na cidade.

A Região do Valle d’Aosta é a menor região da Itália e fica literalmente encravada entre os maiores Alpes Europeus.

Mapa Valle d'Aosta (wikipedia)

Mapa Valle d’Aosta (wikipedia)

Aosta não tem um aeroporto comercial, assim a forma mais fácil e econômica de chegar, é voando até Turim e de lá ir até Aosta de ônibus ou trem. Uma outra opção, melhor para quem parte do Brasil, é voar até Milão. Tanto de Turim quanto de Milão o acesso à Aosta pode ser feito por trens ou ônibus.

No meu caso voei com a Blu-Express de Roma à Turim. Recomendo a Blux-Express para esse trajeto, eles possuem muito voos e a preços conveninetes quando comprados com antecedência. Chegando no aeroporto de Turim peguei um ônibus da Sadem até a estação ferroviária de Torino Porta Susa e de lá outro ônibus da Savda até a cidade de Aosta. Precisei fazer isso porque por poucos minutos perdi o ônibus que faz o trajeto direto entre o aeroporto e a cidade de Aosta.

Importante: ao escrever esse post não econtrei mais as informações no site do aeroporto sobre a empresa que faz o trajeto direto e também fiquei sabendo que em 10.09.2012 a Savda suspendeu o serviço de ônibus de Turim mas continua com o de Milão. Como às vezes essas alterações não são definitivas deixo os links onde as informações foram encontradas aqui no blog.

Os trens, assim como ônibus, partem tanto de Torino Porta Nuova quanto de Porta Susa e o tempo de viagem leva em torno de 1 e 40 minutos. Optei pelo ônibus porque teria que esperar um pouco mais para pegar o trem, além disso o peguei em Porta Susa e não em Porta Nuova porque se tivesse que ir até, mais central, não conseguiria pegá-lo a tempo. Tanto os ônibus quanto os trens partem de Torino Porta Nuova e passam em Torino Porta Susa alguns minutos depois da partida. Na volta fiz o trajeto de trem e foi bastante tranquilo.

Aosta é uma cidade muito bonita, limpa e organizada. Uma cidade muito fofa onde a Itália tem jeito de França. A própria estação de trens é bem mais cuidada e limpa do que a maioria das cidades italianas.

Estação Ferroviária

Estação Ferroviária

Fiquei impressionada com o trem, muito moderno, novinho e limpo. Cheguei a pensar: até os trens são diferentes. Porém logo ao retornar dessa viagem, comecei a observar essa tipologia de trem em outras rotas.

Interior do Trem

Interior do Trem

Chegando em Aosta, para ir até Pila, basta caminhar ou pegar um taxi até a cabinovia. Tanto a estação ferroviária como a rodoviária, além de serem muito próximas entre sí, distam 1 quilômetro da cabinovia.

Estação Rodoviária

Estação Rodoviária

Como cheguei na metade do dia e não pretendia esquiar naquele dia, resolvi dedicar algumas horas para passear pela cidade. Foram momentos tranquilos e agradáveis.

Da rodoviária caminhei até a praça principal que dá na prefeitura, ou deveria dizer Hotel de Ville?

Centro Aosta - Hotel de Ville

Centro Aosta – Hotel de Ville

A cidade apesar de pequena, ou deveria dizer petit 🙂 , é muito charmosinha. Toda emoldurada pela montanhas com seus cumes brancos.

Centro Aosta

Centro Aosta

Centro Aosta

Centro Aosta

Chama atenção a influência francesa por alí, a maioria das pessoas inclusive é bilíngue. Língua, nomes e comidas se fundem fazendo com que o lugar se torne especial.

Centro Aosta

Centro Aosta

Centro Aosta

Centro Aosta

Passei pelas ruas para pedestres do centro, parei para um almoço rápido e depois do almoço provei o melhor sorvete de canela da minha vida em uma gelateria um pouco fora do centro, chamada Pazzo di Bianchi. O que me fez escolher aquela gelateria foi a fila, o que prova uma coisa que já tinha comentado aqui no blog, na Itália, se tem fila pode confiar. A surpresa boa foi encontrar o sabor canela que não é muito trivial pela Itália e eu amo. Um parêntesis: gosto tanto de canela que fiz um amiga levar trident de canela do Brasil para a Itália.

Depois de passear pela parte mais central passei pelas ruínas da época romana. Aosta teve uma ocupação romana grande e devido aos inúmeros achados arqueológicos é conhecida como a Roma dos Alpes.

Parte do muro de época romana

Parte do muro de época romana

Antes de terminar o passeio fui no mercadão e supermercado e fiz um comprinhas básicas para levar para a estação. Nada como vinhos italianos com cara de francês com queijos fontina e de cabra para acompanhar.  Mammamia!!

Mercado

Mercado

Vinho local

Vinho local

A cabinovia que liga Pila à Aosta é tão prática que não passei por Aosta só naquele dia. Voltei em um outro para um passeio de fim de tarde e especialmente para que meu namorado provasse o tal sorvete de canela. Ele estava super a fim de provar depois da minha propaganda. 

O único problema da cabinovia é que ela tem hora para fechar, e fecha cedo, às 19, então, depois dessa hora só com o ônibus, taxi ou carro (para quem aluga). Subir de carro é tranquilo na primavera mas pode ser delicado no forte do inverno por causa da neve.

Aosta vista da Cabinovia

Aosta vista da Cabinovia

Optei por ficar hospedada na montanha, direto em Pila, como tinha pouco tempo queria aproveitar ao máximo. Porém hospedar-se em Aosta e esquiar em Pila me pareceu muito tranquilo. Como a estação é bem pequena, vou falar sobre ela em outro post, ficando em Aosta acho que se tem um pouco mais de acesso à restaurantes, serviços em geral e até mesmo a day-trips, de esqui ou não, nos arredores.

Aosta está muito próxima de Cormayer, são poucos quilometros até a estação de esqui mais gourmet da Itália. Também é próxima de Chamonix-Mont-Blanc, que se separa de Cormayer apenas pelo túnel do Montblanc, barbadinha para fazer um bate e volta e conhecer a cidade, já para esquiar são “outros cinquecentos”. Completa a oferta de passeio pelos arredores a estação de Cervínia, que é conectada à Zermatt e Valtournenche, formando uma área de esqui  de mais de 350 km de pistas, chamada o Matterhorn Ski Paradise.

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