Primosten

Queria ter visitado Primosten desde a primeira vez em que fui à Croácia. Na ocasião tinha visto uma foto área da cidadela que me marcou muito. Porém, como as vezes querer não é poder, a cidade ficou para uma segunda oportunidade. E da segunda oportunidade Primosten não passou!

Foto aerea Primosten (foto: magicosud.it)

Foto aerea Primosten (foto: magicosud.it)

Quando planejamos essa segunda viagem para a Croácia (comecei o relato em um post anterior, para acessá-lo clique aqui), a  idéia era de nos hospedarmos nas 3 primeiras noites em Primosten e não em Trogir porém, como Trogir se mostrou uma cidade maior e consequentemente com mais ofertas de hotéis econômicos acabamos optando por ela.

Hoje não me arrependo, acho que Primosten é um lugar ideal para um passeio de um dia além disso se tivesse feito o contrário não teria conhecido Trogir, que adorei! De Trogir à Primosten é super fácil de ir com transporte público, um ônibus interurbano pinga-pinga que faz a viagem em torno de 40 minutos. No caminho de uma cidade à outra, muitas cidadezinhas, portos e estaleiros, paisagem típica do litoral croata que não deixa de me impressionar.

No caminho para Primosten

No caminho para Primosten

A cidade de Primosten foi fundada em uma ilha que era ligada ao continente por uma ponte pencil e é justamente essa ponte a origem do nome da cidade em croata. Hoje a cidade é maior do que isso, a ponte deu lugar a um calçamento elevado que faz a ligação entre a pequena parte continental e a ilha, seu centro histórico.

Primosten

Primosten

Passear pelo local é o ponto alto da visita. Logo ao cruzar a porta de entrada da antiga cidade murada, no estilo veneziano, se avista a praça principal com seus restaurantes, cafés e ruas estreitas, tudo ainda muito característico do borgo medieval mediterrâneo.

Praça Central em Primosten

Praça Central em Primosten

À esquerda  um pequeno porto que se une à uma das  praias do sul da península.

Pimosten Porto

Pimosten Porto

Desse local, através de um caminho, é possível contornar toda a ilha à pé em poucos minutos. Um passeio tranquilo e agradável, bacana de se fazer em um final de tarde.

Primosten - Iníco do Caminho para percorrer o redor da ilha à pé

Primosten – Iníco do Caminho para percorrer o redor da ilha à pé

E foi exatamente o que fizemos. Pegamos praia primeiro e depois fomos caminhar no centro. Além de sete ilhas muito próximas, Primosten tem no seu sul uma praia mais pedregosa e ao norte uma praia bem extensa, com um boulevard grande e uma floresta de pinus.

A praia do lado norte, chamada Raduca, é bandeira azul contando portanto com inúmeros serviços e muita segurança aos banhistas. Como se não bastasse isso ela é considerada uma das mais bonitas praias do país. O início e o final da mesma são áreas cheias e mais família enquanto a parte mais central é mais vazia.

Praia Radusa - Começo da Praia

Praia Raduca – Começo da Praia

 Praia Radusa - Centro da Praia

Praia Raduca – Centro da Praia
Praia Radusa - Canto Final da Praia

Praia Raduca – Canto Final da Praia

A praia do sul era menor, mais família ainda, próxima ao porto e com barcos atracados. Bonitinha mas preferi a do norte.

Praia do Sul

Praia lado Sul

Praia lado Sul

Estivemos na ilha exatamente no dia da final de polo aquático das olimpíados de Londres entre as seleções da Croácia e da Itália. Como muito italianos veraneiam na Croácia o clima de festa e competição durante a partida foi divertido. Naquele dia a Croácia levou a melhor, a única medalha de ouro do país, que foi muito celebrada. Olhando para a foto acima se entende um pouco o porquê, perdi a conta de quantas piscinas como essa vi espalhadas pelas praias croatas. Assim como os estaleiros e a quantidade de portos, o pólo tá no sangue do povo, ao menos nessa região.

Dois dias antes de nossa visita tinha ocorrido uma festa com o Bob Sinclair no Aurora em Primosten, uma dos maiores clubes da Dalmácia. Nossa idéia era ir nessa festa porém algumas semanas antes tínhamos ido à uma balada no Ushuaia em Ibiza também com o Bob Sinclair assim, acabamos desistindo. Porém #ficaadica, sempre bom dar uma olhada na programação antes e de repente unir o útil ao agradável.

Para quem chegou ao blog através desse post procurando por dicas de viagem e praias da Croácia recomendo a leitura dos primeiros lposts istados no Leia Mais abaixo.

Leia mais:

Trogir – A “Piccola Venezia”

Esse será o segundo post com dicas e roteiros de viagem pela Croácia. O primeiro, sobre o sul da Dalmácia, foi também o primeiro post do blog. De lá para cá, muitos outros, esse já é o 112°! Gostei tanto da Croácia e da Dalmácia que voltei porém dessa vez para visistar o norte. E, como tudo na vida é prática, não vou fazer um post único com toda a viagem e sim pequenos posts, mais detalhados, sobre as cidades que visitei. Começo com Trogir, escrevendo também de Seget, Ciovo (Okrug Gornji) e arredores, depois escreverei sobre Primosten e por último de Zadar e suas ilhas.

Sobre Trogir

Trogir é conhecida como Piccola Venezia devido à influência do estilo na sua arquitetura. Além disso a cidade fica em uma ilha, sendo conectada por duas pontes ao continente e por outra à ilha de Ciovo.

Foto aérea de Trogir (fonte: croatia.hr)

Foto aérea de Trogir (fonte: croatia.hr)

Não por acaso que a cidade é patrimônio da UNESCO. Ela ainda conserva suas muralhas, portas, o castelo, igrejas, a Catedral e a Loggia. Tudo dentro dos seus muros onde ficam também suas ruas estreitas.

Centro Historico Trogir

Centro Historico Trogir

Fiquei 3 noites e achei de bom tamanho, peninha que tanto o primeiro quanto o último foram curtos. Para aqueles que pretendem ficar em Split recomendo um day-trip até Trogir.

Como chegamos

Trogir dista 20 km de Split e assim tem ônibus partindo a quase a toda hora. Apesar de Split ter um aeroporto, ironicamente localizado próximo à Trogir, saindo de Roma era mais conveniente voar Roma-Dubrovnik com a EasyJet. E foi o que fizemos! Chegando em Dubrovnik fomos de ônibus à Split. A viagem durou quase 5 horas, de Split à Trogir quase 1 hora em função do trânsito.

Onde nos hospedamos

Ficamos no Apartaments Ana Trogir reservado pelo Booking. A localização não era das mais conveninentes, 1 km do centro e para chegar uma pequena subida seguida de uma avenida movimentadinha com uma calçada nada favorável ao pedestres. O bom dá localização foi que podemos aproveitar tanto Trogir quanto o vilarejo de Okrug Gornji pois a hotel ficava no meio do caminho.

Ficamos em um apartamento (alí chamado apartamani, tipo quitinete) porém eles também tinham quartos (chamados sobe/zimmer/camere) com banheiro privado e compartilhado. Só não estavam mais disponíveis na época em que fiz a reserva. Gostei mas acho que já fiquei em melhores pela Croácia.

Apesar do wireless, TV de tela plana com alguns poucos canais em inglês e da pequena cozinha e sacada, no nosso caso de fundos, achei que o quarto, apesar de ser de bom tamanho, ficava pequeno com tantos móveis, podia ser mais clean. O banheiro era pequeno e a limpeza não era o forte, podia ser mais clean também :). A cozinha acabou sendo supérfula, um frigobar já estaria de bom tamanho.

Pagamos 40 euros a diária para dois em agosto mas acho que poderíamos ter pago menos se tivéssemos alugamos um sobe diretamente com os proprietários. Mesmo em pleno agosto muitos lugares tinham vagas. Fazendo pesquisas posteriores vi que reservando com antecedência dá para pagar esse preço por um sobe no centro. O site Trogir Online me pareceu muito bom para acomodações. Pena que não encontrei antes de ir 😦

As dicas principais são a localização e os preços praticados, como esses apartaminis/sobes estão mais distantes do centro, são opções mais baratas para quem deixa para negociar em cima do laço. É sempre bom ter essas referências pois os proprietários costumam abordar os turistas na própria chegada na rodoviária e com essas informações já dá para passar um filtro logo ao descer do bus.

O que fazer?

Chegamos por volta das 16. Só na caminhada da rodoviária ao hotel já podemos sentir o clima da cidade, muito movimentada com tantos veranistas. Era possível ir de ônibus mas vimos que o trajeto era pequeno, as ruas estreitas e que tinha trânsito assim encaramos o expresso canelão. Essa foi a caminhada mais chata, com as malas, mesmo que pequenas, e sem saber ao certo a localização. Depois dessa primeira as coisas ficaram mais tranquilas. Não usamos o tal do ônibus nenhum dia, aliás, não o vi.

Fizemos check-in, tomamos um banho e partimos para curtir o fim de tarde/primeira noite no centro histórico e também para decidir o que fazer no dia seguinte.

Ruas Centro Historico Trogir

Ruas Centro Historico Trogir

À noite a cidade fica muito bonita com uma iluminação discreta, nada exagerada. Pena que não colaborou com os fotógrafos aqui.

Porto Turistico Trogir à noite

Porto Turistico Trogir à noite

Jantamos no restaurante do Hotel Pasike, gostamos muito. Dois pratos de peixes acompanhados por verduras, bem servidos e com meio litro de vinho da casa custaram em torno de 50 reais . Ah, os vinhos brancos e roses da Croácia são muito bons,

Restaurante do Hotel Pasike em Trogir

Restaurante do Hotel Pasike em Trogir

Coisas para fazer nesses dias não faltaram. O primeiro dia foi dedicado à praia de Seget Donji. Do porto turístico, próximo ao castelo, partem os barquinhos que levam até essa praia.

Restaurante do Hotel Pasike em Trogir

Restaurante do Hotel Pasike em Trogir

Indo para Seget

Indo para Seget

Aliás o pequeno porto turístico é uma atração por si só com iates e veleiros ancorados. Olha o Brasil marcando presença! Naquele dia tinha uma regata em Trogir.

Barcos com Bandeira do Brasil em Trogir

Barcos com Bandeira do Brasil em Trogir

Seget é uma praia bem família, como muitas na Croácia. Normalmente quando existem boulevards e portanto, fácil acesso, as praias se enchem de famílias. A praia também é de pedrinhas, como a maioria, Um mar verde claro super limpo e quase sem ondas. Chato que naquele dia, e nos próximos que viriam, a água estava que nem a propaganda da cerveja: gelaaada! Curtimos o dia por alí com um aperitivo na área de praia do Hotel Medena no final da tarde. Muito relax e honesto.

Hotel Medena Seget

Hotel Medena Seget

De Seget voltamos ao porto turístico de Trogir.

De Seget à Trogir: Canal entre Trogir e Ciovo

De Seget à Trogir: Canal entre Trogir e Ciovo

No mesmo local onde descemos pegamos um outro barco para Okrug Gornji. Para nossa supresa o barco não parou tão próximo do nosso hotel quanto esperávamos e sim na praia do vilarejo. Aproveitamos para curtir essa praia e encaramos o jantar por alí mesmo. Essa praia é um pouco menos família e mais agito que a de Seget.

Porto em OkrugGornji

Porto em OkrugGornji

Naquele noite jantamos no Rarita Konoba, que super recomendo. Para jantar no salão interno, com vista para o pôr-do-sol, tem que reservar. Eu, ainda em trajes de banho, fiquei na parte externa numa boa. A konoba é diferente do restaurante, o conceito é como o da trattoria italiana, ambiente e serviços mais simples com comida mais caseira e barata. Adorei tudo por alí, pena que fiquei sem bateria na máquina fotográfica, segue uma imagem do restaurante que encontrei no google street view.

Rarita Konoba em  Okrug Gornji na ilha de Ciovo

Rarita Konoba em Okrug Gornji na ilha de Ciovo

Depois do jantar voltamos caminhando pela pequena beira-mar até o hotel, com direito a uma paradinha no supermercado para abastecimento.

No segundo dia o plano era ir até Drvenik Veliki para conhecer um lugar chamado de Lagoa Azul. Decidimos fazer o passeio por conta, com a Jadrolinija, ao invés de ir com os barcos de “fish picnic” (tipo escunas no Brasil), porém os bilhetes eram vendidos no guichê que ficava distante do porto e tivemos dificuldade em encontrá-lo com as orientações dos marinheiros. Resultado: perdemos o barco e, não fomos os únicos! Para quem quiser fazer o mesmo recomendo comprar no dia anterior.

Assim trocamos o passeio e fomos até a cidadezinha de Primosten que será objeto de outro post. Como tínhamos perdido o ônibus do meio da manhã, tivemos que esperar um pouco na rodoviária e nos virar muito para descobrir o próximo ônibus que iria até lá. As informações eram bem desencontradas, comecei a perguntar para todo cobrador de ônibus que chegava na rodoviária até que achei um. Achei a metade sul da Dalmácia bem mais organizada para o turismo não local que a parte norte e acho isso se reflete inclusive na proporção de turistas internacionais x croatas/turistas da região dos balcãs.

O terceiro dia foi de acordar curtir mais um pouco o centrinho e pegar o bus para Zadar, se tivéssemos seguido o roteiro esse seria o dia de Primosten porque a mesma está no caminho para Zadar porém como perdemos o trem, digo, o barco, tivemos que mudar os planos.

Em Trogir também gostamos muito do café Monaco, na esquina da ponte entre Trogir e Ciovo. O chato nos cafés é que a galera fuma muito, é difícil você não tomar café com aquele cheirinho de cigarro ao seu redor. Também não dá para perder pela Croácia as Pekaras (padarias) que vendem ótimos quitutes feitos com diversos tipos de massas e recheios. Ao lado desse café tinha uma pekara, aliás, acho que era inclusive do mesmo dono. Melhor impossível, café de um lado, quitutes do outro.

O site Portal Trogir é de uma agência de turismo da cidade e pode ser interessante para pesquisar passeios e acomodações. Outro site que recomendo é do Adriatic4You.

Sobre as praias

Recomendo o Croatia Beaches para informações sobre praias. Eles possuem várias listas e top 10 por tipo de praia e região, assim te ajudam a planejar quais visitar de acordo com teu perfil. Também recomendo comprar um sapatinho para entrar no mar porque as pedras judiam dos pés e uma esteira apropriada para as pedrinhas. Canga nem pensar, só por cima da esteira.  Se não tiver deixe para comprar por lá, são vendidas por tudo e custam peanuts. Acho dispensável um guarda-sol/barraca, as praias costumam ser bem arborizadas e é bem fácil descolar uma sombrinha além de ser um treco a menos para carregar.

Cruzeiros pela Croácia

Ao caminhar à noite pelo porto turístico de Trogir me deparei com vários navios de cruzeiros de pequeno porte que fazem cruzeiros pela região. Muitos tem roteiros que iniciam e terminam em Trogir. Registrei os nomes porque um dia quero fazer um passeio desses. Como já tinha feito no post sobre o sul da Dalmácia, seguem algumas empresas: Gulliver TravelPrinceza Diana Cruise and Bike e Idriva (também com opções Bike & Boat).

Gulliver Barco de  Cruzeiro pela Croacia

Gulliver Barco de Cruzeiro pela Croacia

Abaixo, para uma idéia mais visual, os locais do post destacados no mapa.

Leia mais:

Croácia – Sul da Dalmácia

A INSPIRAÇÃO

O ano era 2007, cheguei no aeroporto de Mestre e peguei um taxi em direção à Veneza junto com uma americana que passaria uma noite em Veneza e depois se dirigiria ao seu destino final: a Croácia. Era uma daquelas noites de verão escaldantes, na minha cabeça só passava o meu roteiro em Veneza (muita caminhada e muito sol) enquanto isso, ela me falava da Croácia, que era o Mediterrâneo de antigamente, um lugar muito bonito, ótimo para se visitar, velejar, com ótimas praias, e, além de tudo, segundo ela, a preços extremamente acessíveis.

Vista de uma pequena enseada ao logo da estrada

Vista de uma pequena enseada ao logo da estrada

Naquele taxi, por um breve momento, fiquei tentada a ir até lá também mas, segurei a onda e mantive meu roteiro original. Talvez hoje pensando bem fosse melhor ter trocado algumas capitais européias pelas quais passei naquele verão pelos destinos paradisíacos da Croácia.

Quatro anos depois… finalmente fiz as malas na sua direção. De qualquer forma devo assumir que o fato de estar morando em Roma, favoreceu bastante a minha decisão, um voo de Roma à Dubrovnik dura cerca de uma hora e com alguma antecedência se encontram passagens a preços bastante vantajosos. Abaixo meu roteiro pelo sul da Croácia e minhas dicas de viagem.

O ROTEIRO

A região escolhida foi o sul da Dalmácia, no trecho entre as cidades de Dubrovnik e Split. O roteiro de duas semanas previa: Dubrovinik , Makarska, Split, Hvar(Ilha de Hvar), Bol (Ilha de Brac) e Dubrovnik novamente.

E assim começou a viagem… chegamos em Dubrovnik e pegamos o ônibus do aeroporto com direção a principal estação de ônibus desta cidade, 25 km e 45 minutos depois estávamos na estação já com os tickets para irmos em direção a Makarska. No ônibus, na famosa estrada que costeia o litoral da Croácia, curva após curva uma nova enseada de águas cristalinas despontava na nossa frente, lugares pequenos e paradisíacos. Ai que vontade de mergulhar nesse mar!!!!

Três horas depois chegávamos em Makarska, fomos em direção a pensão que tínhamos reservado, deixamos as malas e fomos direto para a praia. A princípio a idéia era ir de Makarska para Brac, inclusive usamos Makarska como parada porque vimos no guia de viagem que a companhia Jadrolinija possuia ferry boats que partiam daquela cidade em direção a Sumartin na ilha de Brac, no entanto, após uma conversa com um dos donos da pensão onde ficamos, descobrimos duas coisas muito importantes: a primeira é que poderíamos ir até Sumartin mas que chegando lá, a conexão entre o ferry e os ônibus locais não era muito fácil, talvez fosse o caso inclusive de pegar um taxi até Bol (ilha de Brac), sendo assim, segundo ele ir até Split seria mais fácil lá as conexões da  Jadrolinija são bem mais numerosas, então, comentamos que essa seria uma opção boa até porque tínhamos planejado ficar 3 dias em Split, foi aí que veio o segundo conselho, que Split era uma cidade de passagem, e não muito aconselhada para se ficar por muito tempo.

Porto de Makarska – ponto de partida da JadrolinijaPraia de Makarska – princial praia da Riviera de Makarska

Assim, mudamos os planos e partimos em direção a Split, saímos de Makarska no ônibus das 10 da manhã e 1 hora e 30 minutos depois chegávamos a Split. A estação rodoviária de Split é ao lado do porto e novamente, alguns minutos depois, já estávamos com os tickets para ir a Hvar em mãos. Compramos um ticket para o final do dia e decidimos passar o dia em Split para conhecer ao menos um pouco da cidade. Realmente nosso amigo tinha razão, a própria impressão que a cidade causa ao se chegar nela não é das mais bonitas, enfim, Split é hoje a segunda maior cidade da Croácia, uma cidade que têm em seu porto sua principal fonte de renda e como toda a cidade grande, não têm o charme das demais cidadezinhas. Sendo assim, agora o conselho é meu, se você tem bastante tempo, pode considerar de 2 a no máximo 3 dias por aqui, agora, se seu roteiro está apertado em algumas horas você pode conhecer a cidade e suas principais atrações deixando pra apreciar as praias em outros locais.

Calçadão em frente ao Porto de Split

Vista Interna do Palácio de Diocleciano – destaque para as lojinhas de artesanato

Algumas horas depois, chegávamos em Hvar, aqui você desce do catamarã e logo aparecem as senhoras do lugar para oferecer seus sobes e apartamentos, o combinado era dizer que já tínhamos acomodação, assim nos liberávamos da insistência das diversas senhoras e teríamos mais liberdade para caminhar pela cidade e escolher algo que fosse do nosso agrado. Em menos de uma hora achamos um lugar muito bom, um sobe muito aparelhado com uma vista linda do porto, do mar e do centro. O único problema aqui era a pequena ladeira para se chegar no lugar, mas desde já devo dizer, faz parte do relevo das cidades por onde passamos.

Hvar é um lugar muito charmoso, mais ao mesmo tempo com algo de simples no ar, quero dizer, você vê desde mega-iates até barcos e restaurantes simples no mesmo local. A atmosfera realmente parece de um lugar que está desenvolvendo um turismo mais alto nível mais ainda com uma estrutura mais antiquada e muito charmosa. Os locais de interesses como ilhas, praias e cidades próximas tornam a oferta de passeios bem grande, impossível se entediar. Consequência: ao invés dos 3 dias inicialmente planejados, ficamos 5, e com dor no coração partimos rumo a Bol.

Vista da Cidade e do Porto de Hvar

Praia Urbana em Hvar(Ilha de Hvar)

A idéia era ir com a Jadrolinija de Hvar para Bol mas descobrimos que para isso deveríamos ir até Starid Grad(Ilha de Hvar), de lá até Split, de Split à Supertar (Ilha de Brac) e depois ainda pegar um ônibus para Bol. A logística parecia bem complicada e chegamos a pensar em ficar mais um dia por ali, fazer o passeio até Bol com os barcos turísticos e dali partir direto para Dubrovnik que seria o destino final. No entanto, nossa pousada estava lotada e ferrys de Hvar para Dubrovnik só partiam aos sábados, o que era incompatível com nossa agenda. Como são das dificuldades que surgem as oportunidades descobrimos uma outra forma de chegar em Bol que gostamos bastante, isto é, com os próprios barcos de passeio pois eles permitem que você faça apenas o trajeto de ida. Alguns dias da semana eles partem direto de Hvar, em outros você deve ir até Jelsa (Ilha de Hvar). Esse foi o nosso caso, saímos de Hvar por volta dàs 10 da manhã, chegamos em  Jelsa às 11 e as 14 já partíamos para Bol. Uma hora depois, chegamos ao nosso destino. Existe essa opção também com a  Jadrolinija, o problema é que as partidas de Jelsa são entre 06:00 e 07:30, como neste horário os ônibus de Hvar a Jelsa ainda não estão disponíveis, ou você pega um taxi ou dorme em Jelsa.

Em menos de uma hora já estávamos na famosa praia de Zlatini Rat (Golden Horn) e, devo dizer, que vale ao menos o passeio até lá. Ali ficamos por mais 3 noites, descansamos bastante porque fora essa praia você não tem muitas opções e a cidadezinha em si é bem pequena, bem diferente de Hvar, que não é só maior mas também tem mais ofertas de restaurantes, pubs e baladas. De qualquer forma em um dos dias tinha uma pequena feira local, organizada no centro da cidade, uma ótima oportunidade para se tomar um cerveja ou vinho e se saborear a comida local a preços mais indecentes ainda.

Zlatni Rat (Golden Horn) ao entardecer

Após 3 dias em Bol, confesso acho que 2 estariam de bom tamanho, partimos em direção à Dubrovnik, a famosa pérola do Adriático. Dessa vez, como já estávamos em Brac, resolvemos nos informar melhor sobre o ferry de Sumartin e, com isso, conseguimos ver que apesar de haverem apenas dois ônibus diários ligando essas duas cidades, existia a possibilidade de ir de ônibus até Sumartin e de lá, pegar o ferry até Makarska e depois fazermos exatamente o caminho de volta até Dubrovnik. Essa volta tomou praticamente nosso dia inteiro, chegamos em Dubrovnik às 19 mas mesmo assim sem dúvida foi melhor do que ir até Split.

A cidade é realmente uma graça, ficamos na região do porto, Gruz, e gostei bastante. Apesar de estarmos distante 10 minutos de ônibus da old town estando no porto ficamos muito perto do sobe que já tínhamos reservado, do local em que chegamos, perto das saídas da Jadrolinija para as Elaphite Islands e perto tanto da estação municipal quanto da estação central de ônibus, essa última, infelizmente, nosso ponto de partida para o aeroporto e consequentemente retorno a Roma.

Dubrovinik – Old Town

A Pérola

Porto de Gruz

SE DESLOCANDO…

Acho que fica bastante claro se você leu o roteiro, que todos os deslocamentos foram feitos utilizando meios locais de transporte. Optamos por não alugar um carro para toda a viagem deixando para fazer isso somente nos lugares em que sentissemos necessidade. O que aconteceu no entando foi que o carro mostrou-se dispensável.

Fizemos todos os grandes trajetos no continente com ônibus de companhias locais. Diferentemenre do que tinha lido em alguns guias de viagem, a comunicação tanto com os atendentes que vendiam as passagens quanto com os motoristas, em inglês, foi fácil. Todos pareciam bem preparados. Embora sem muita fluência no idioma sabiam responder a todas as perguntas que faziam parte do seu serviço. Para informações adicionais já era um outro papo.

Todo os trajetos entre o continente as ilhas de Hvar e Brac foram feitos com a Jadrolinija (exceção da ida a Bol). As cidades e ilhas são bem conectadas e depois de conhecer Bol você entende por ali o serviço não é tão abubdante. Na verdade a cidade é pequena e a principal atração é a praia de Golden Horn, além disso, como Bol é acessível por  barcos de passeios muitos optam por não ficar alí mas sim em fazer passeios de uma dia até lá. Caso você opte por alugar um carro aconselho a se informar bem sobre os horários porque nesse caso sempre terás que utilizar o ferry boat, o que reduz a quantidade de opções disponíveis perdendo um pouco da flexibilidade do roteiro.

Em Hvar e Dubrovinik, pegamos taxi boats para ir e retornar das ilhas (aqui mais uma exceção pois fomos as Elephite Islands com a Jadrolinija). Funciona assim: por um valor fixo um barco, com capacidade para aproximadamente 50 pessoas, te deixa na ilha e depois oferece alguns horários de retorno com intervalos que variam de 30 minutos a uma hora.

Além desse serviço existem os barcos de passeios, que fazem os famosos fish pickniks, que na verdade me lembraram muitas aquelas escunas de Parati e de alguns outros pontos do nosso litoral. Se parte de manhã cedo, visitam-se 2 ou 3 pontos de interesse no mesmo dia, tudo isso com almoço incluído e música.  Bom, confesso que essa não é bem a minha praia, mas, uma boa opção se você têm pouco tempo no lugar.

Outra opção um pouco mais cara mas ainda muito econômica por lá é alugar um barco e fazer o passeio por sua conta. Nesse caso você também tem a opção de conhecer vários locais no mesmo dia e ainda assim como os horários que desejares e sem a famosa musiquinha ao fundo…rs.  Em Hvar chegamos a pensar em alugar, custava 50 euros o dia um barco pequeno para duas pessoas e com combustível incluído.

Em Makarska pode-se utilizar os próprios ônibus locais para andar pela Riveira, nós como ali tínhamos planejado somente dois dias não nos deslocamos muito e conhecemos os pontos de interesse a pé mesmo.  Em Bol, como o ponto de interesse também era perto também se caminhava para tudo. Em Dubrovinik usamos os ônibus públicos para transitar pela cidade e pelos arredores, como por exemplo, Milna.

ACOMODAÇÃO

Sem dúvida o que torna a viagem pela Croácia ainda barata é a questão da acomodação. Não existem muitos hotéis como estamos acostumados a ver por exemplo no Brasil e também fica parecendo que existe incentivo às acomodações do tipo sobe (zimer, room, camere) ou apartamani (apartamento), que não são nada mais que quartos ou apartamentos anexados às casas dos moradores. É claro que esse tipo de acomodação, que me lembra bastante outro ponto do nosso litoral, Fernando de Noronha, porém ali evoluiu muito e existem inclusive classificações para os tipo de sobe que vão de 1 a três estrelas, basicamente servindo para indicar se tem banheiro compartilhado, compartilhado com somente outro quarto ou privado, respectivamente.

Tivemos a oportunidade de ficar em 4 desses sobes e posso dizer que a experiência foi positiva. Inclusive tenho certeza que alguns eram melhores que alguns hotéis 3 estrelas pelos quais passamos.

Em Makarska ficamos na Batosic Pension o lugar era bom, bem localizado, próximo da estação de ônibus e da praia e bem aparelhado. Acho que os únicos pontos ruins foram a ladeira para se chegar até o sobe e o fato de que não tinha frigobar e televisão. Confesso que ver a televisão em croata também não é grande coisa então a menos que tenha um sistema de satélite a TV se torna dispensável.  O prédio com os quartos era em anexo a casa, tinha sempre uma pessoa a disposição para dar alguma informação, serviço de limpeza diária e café da manhã, como disse antes, praticamente um hotel.

Em Hvar e Bol também ficamos em uma estrutura de sobe anexada a casa das moradoras, ambos prédios novos, muito bem aparelhados, camas ótimas, vistas da cidade, TV por satélite, ar-condicionado e frigobar, nesses casos, diferente de Makarska, não tinha café nem serviço de limpeza.

Em Dubrovinik, digamos, que foi o único lugar que deixou a desejar. De qualquer forma devo dizer que o valor pago pelo local foi bem barato ainda mais levando-se em conta que de todas as cidades Dubrovinik é sem dúvida a mais cara até porque ali o número de turistas é bem maior.

Em Dubrovinik fizemos a reserva através do hostelsword.com, em Makarska através do site da pensão e em Hvar e Bol diretamente com os proprietários no momento da chegada. Optamos por chegar e dizer que já tínhamos acomodação, dessa forma evitavamos de ter que andar com uma determinada pessoa até o local do seu sobe/apartamani e depois ter de dizer não muito obrigado, tenha em mente que as vezes os locais podem ser distantes e as pessoas, insistentes. De qualquer forma a estratégia foi boa e os melhores lugares foram aqueles em que vimos primeiros e negociamos/pagamos depois…rs…

Enfim, encontrar um lugar pra ficar é tarefa fácil e em julho fizemos isso tranquilamente, sem reservar o que, em agosto, já não é aconselhável em função de ser alta temporada.

PASSEIOS E LAZER

Abaixo, uma lista por local dos principais pontos de interesse e atividades de lazer. De qualquer forma devo dizer que as cidades por si só são pontos de interesses turísticos, Dubrovinik com seu muro e Hvar com seu castelo são um verdadeiro charme.

Makarska: o principal ponto de interesse são as praias da riviera, praias com perfil familiar e com bastante gente, muitas opções de lazer na praia, como aluguel de jet-ski, pedalinhos, kayaks, voos panorâmicos (parasail). Uma boa opção é fazer uma caminhada pela trilha até Nugal Beach (praia naturista).

Hvar: o ponto alto é visitar as diversas prais das ilhas da região. Dentre elas: Jeronimo, Carpem Diem, Palmizana, Mlini.

Brac: a Golden Horn é o ponto alto. Também é uma praia muito boa para windsurf e mergulho (observei algumas escolas). Com uma infra-estrutura de lazer similar a Makarska.

Dubrovinik: conhecer o centro histórico, o muro da cidade, fazer um passeio de cable car, pegar praia na área de Lapad e no East&West, ir até as ilhas de Lokrum, Elaphite e Millet.

COMER, COMER!!!

A comida da Croácia não desaponta mas confesso que também não é uma grande surpresa. Muitos pratos são italianos e pizzarias são encontradas em todas as cidades. Fora isso encontram-se alguns pratos/lanches típicos que indico abaixo e também recomendo as opções de peixes e frutos do mar, grelhados, fritos e cozidos, o que de certa forma não deixa de ser uma especialidade.

Os konobas são como as osterias italianas, a idéia é de um ambiente mais simples com uma comida mais tradicional e, consequentemente mais econômica. As pekaras são as padarias onde você encontra as buzakas, ótimas para um café da manhã, lanche ou mesmo almoço rápido.

Recomendo provar a buzaka, o cevapcici, a bussara(molho) e a Peka. Também fica a dica de um ótimo restaurante em Hvar onde praticamente provamos todo o cardápio. Restaurante Marinero, Rua Majerovica, 12.

Os vinhos croatas também se mostraram uma grata surpresa. Confesso que amo viajar para esses locais onde o vinho da casa custa praticamente o preço da garrafa de água…rs. Não bebemos nenhum vinho ruim e mesmo estando acostumada ao padrão da Itália achei o vinhos excelentes, mas devo confessar que em pleno verão optei sempre pelos brancos.

OUTRAS INFORMAÇÕES

Praias – as praias são muito bonitas mas completamente diferentes das nossas. São pequenas enseadas de águas cristalinas e sem ondas. Alguma onde só com vento forte o que não é muito comum no verão e depende da orientação da praia. Além disso as praias não são de areia, são de pedras o que causa um desconforto se você não estiver preparado. Então aqui fica a dica de comprar um sapatinho para entrar no mar e mesmo caminhar na praia e um colchão para se espreguiçar nas pedras. Isso você pode adquirir lá mesmo e sem dúvida fará toda a diferença. Um bom site para ler sobre as praias da Croácia e que inclusive contém rankings por perfil de Praia é Croacia Beaches.

Naturismo – tenha em mente que a Croácia é muito famosa pela possibilidade de se praticar o naturismo. Mesmo as praias que não são totalmente naturistas possuem uma parte para a prática do mesmo. Por isso não se assuste se vires uma família de alemão totalmente nus ao seu lado, para eles como já diz o nome, é muito natural!

Dinheiro – foi muito fácil trocar euros por Kuna (1 euro, 7,34 kunas. Em qualquer esquina encontravámos um ponto de troca que não cobrava taxa e tinha ótimo câmbio. Já mais chatinho foi a aceitação do cartão de crédito, para acomodações impossível já que os sobes e apartamentos são pequenas empresas familiares. Além disso alguns restaurantes também não os aceitavam.

Baladas – em Hvar fomos ao Carpem Diem, primeiramente fomos até a parte que fica na ilha e de lá, depois de um esquenta, pegamos o barco para a Ilha do Carpem Diem. Devo confessar que achei o esquenta mais animado que a balada. Em Dubrovnik o East&West tem um ambiente legal e uma boa música.

Velejando pela Croácia – se você não tem um barco próprio, não têm nenhum amigo que tenha e no momento não possue saldo suficiente na conta bancária pra alugar um barco por alguns dias, uma opção por ser a Katarina Cruises.

Finalizando queria dizer que esse é meu primeiro post, então, ainda estou me familiarizando com esse mundo. Portanto, se esqueci de colocar algo ou se você tem alguma sugestão ou dúvida adoraria que você me mandasse um email ou postasse aqui no blog. Obrigada pela leitura, espero que tenha sido útil!!!

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