Porto Venere

Porto Venere foi mais uma grata surpresa desse roteiro pela Liguria. Já tinha escutado falar das CinqueTerre e de Portofino quando ainda morava no Brasil porém sobre Porto Venere só tomei conhecimento ao conversar com uma colega de trabalho. No sábado seguinte a essa nossa conversa, coincidentemente, estava almoçando e vendo TV quando apareceu uma reportagem sobre a Liguria e advinha sobre qual cidade? Ela mesma, Porto Venere e suas ilhas. Assim, Porto Venere entrou no meu roteiro e não saiu mais.

Arte em Porto Venere

Arte em Porto Venere

Chegar em Porto Venere, para quem parte de La Spezia, meu caso, é muito fácil. É possível fazer o trajeto de barco mas fiz de ônibus  (aprox.25 minutos). O ônibus passava na praça, Piazza Chiodo, ao lado no meu B&B, já os barcos partiam do porto turístico um pouco mais adiante mas ainda muito próximo. O ticket podia ser comprado no próprio quichê da empresa que ficava na mesma praça. Sempre que é possível comprar o bilhete com antecedência eu não abro mão dessa opção. Já entrei em ônibus com a máquina de vender passagem estragada e para piorar com o fiscal dentro. Na ocasião não levei uma multa mas fiquei ressabiada. Para que correr o risco?

O caminho para Porto Venere é uma gracinha se passa por inúmeros balneários e praticamente todo o tempo se circunda o mar da Liguria, aqui chamado de Golfo della Spezia. Chegando em Porto Venere, o colorido dos prédios à beira-mar, o Castelo Doria ao fundo, a muralha envolvendo o borgo e a torre surpreendem.

Porto Venere

A Torre e a antiga Porta de Entrada

A Torre e a antiga Porta de Entrada

Porto Venere é maior que Portofino como cidade porém em sua marina, a menor da Liguria, no verão, atracam barcos tão imponentes quanto na famosa Portofino. Em comparação com as CinqueTerre  Porto Venere tem uma área à beira-mar mais longa onde é possível fazer uma caminhada ou curtir a paisagem dos restaurantes ali localizados.

Calçadão a Beira-Mar em PortoVenere

Calçadão a Beira-Mar em PortoVenere

Os pontos de interesse turísticos também são um pouco maiores. Caminhando até o final da beira-mar se chega até a Igreja, em estilo gótico, San Pietro.

Igreja San Pietro ao fundo

Igreja San Pietro ao fundo

Igreja San Pietro ao fundo - interior

Igreja San Pietro ao fundo – interior

Circundando a igreja é possível ver o Golfo della Spezia de um lado e o mar da Liguria do outro.

Golfo della Spezia

Golfo della Spezia

Mar da Liguria

Mar da Liguria

Pelas fotos nota-se a diferença da força do vento em cada um dos lados. No golfo tranquilidade, no mar, ondas fortes e barulhentas!

No lado do Mar da Liguria é possível visitar uma das grutas da região, a pequena gruta de Byron, que possue esse nome porque o famoso poeta inglês usava a localidade de Porto Venere como inspiração. 

Caminho até a gruta

Caminho até a gruta com o castelo ao fundo (em cima)

Da igreja e da gruta, se alcança, por um caminho mais ao alto, outra igreja chamada San Lorenzo. Nessa igreja, como em tantas do velho continente, é possível notar a sobreposição de diversos tipos de construção ao longo de anos de história, guerras e desatres naturais.

Igreja de San Lorenzo

Igreja de San Lorenzo

Um pouco mais ao alto fica o ponto de entrada para conhecer o castelo e mais adiante uma escada onde era possível percorrer uma parte do caminho ao lado da muralha.

Muralha e Torre ao Fundo

Muralha e Torre ao Fundo

As ruazinhas estreitas doam um charme adicional à cidade e exigem um certo fôlego do turista.

Ruela no alto da cidade

Ruela no alto da cidade

Escadarias e mais escadarias

Escadarias e mais escadarias

Residências

Residências

Porto Venere me pareceu estar se preparando de modo muito profissional para o turismo. Enquanto nas demais “terres” as lojas de artesanato e produtos típicos possuem um formato mais rústico, em Porto Venere fogem bastante da mesmice.  Lojas modernas, não só em relação à infra-estrutura, atendimento e decoração, como também em relação à oferta diferenciada de produtos. Produtos com selos biológicos, frescos em embalagens para viagem, possibilidade de comprar azeites por litro, e por aí vai.

Loja com grande oferta de pesto genovese fresco

Loja com grande oferta de pesto genovese fresco

Bota fresco nisso...risos. Impossível naõ degustar.

Bota fresco nisso…risos. Impossível naõ degustar.

Comércio em Porto Venere

Comércio em Porto Venere – Olioteca

Olioteca

Olioteca

Para variar paramos para mais um almocinho rápido. Dessa vez foi uma experiência finger food. Espedinhos de anchova (acciuche) na brasa no cartoccio. O cartoccio é um cone feito de papelão que os italianos utilizam muito para peixes e frituras em geral como batatas e abobrinhas.

Também não resistimos à foccacia genovese. Olha ela aí!!!

Focaccias

Focaccias

Além do castelo, das igrejas e da cidade em si também, as ilhas próximas também fazem parte das atrações da região. A Ilha Palmaria é a que mais se destaca pelas belezas naturais, história e praia. Com o mar um pouco agitado e com medo de perder o trem de volta acabamos não fazendo esse passeio. Assim, ficamos mais algumas horas vendo a vida e os barquinhos passarem por nós enquanto devorávamos nossas focaccias e aguardávamos o horário do próximo ônibus. Ciao!

Porto Venere

Porto Venere

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Roteiro de 3 dias na Liguria – Cinque Terre e Arredores

Recentemente fiz um passeio de 3 dias pela Liguria que gostei muito e queria dividir aqui no blog. Foram 3 dias e 2 noites dedicados ao que na minha visão a Ligúria tem de melhor. Esse roteiro utilizou La Spezia como base e visitou as famosas Cinque Terre (cinco terras na tradução para o português), Portovenere, Portofino e Santa Margherita Ligure.

O principal objetivo era o de conhecer as Cinque Terre (Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso) porém o roteirinho foi engordando e no final achei que ficou de bom tamanho. Assim, esse vai ser o primeiro post de uma pequena série com roteiro e dicas de viagem sobre essa viagem pela Liguria.

Nesse post você vai encontrar uma visão geral de como chegar, se deslocar e sobre o roteiro em si. Se quiser obter mais informações sobre cada cidade clique sobre os link das mesmas.

La Spezia

La Spezia

Nesse post vou falar da viagem de um modo geral, como fui, onde fiquei, como dividi os dias e minhas impressões. Nos demais vou detalher um pouco das cidades por onde passei, sendo elas: todas as Cinque Terre (Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso), a cidade que utilizei como base, La Spezia, além de Santa Margherita Ligure, Portofino e a última cidade que visitei, Porto Venere.

Onde ficamos nas Cinque Terre?

Como eram poucos dias resolvemos que escolheríamos uma cidade para montar base e que faríamos bate-e-voltas diários. Comecei procurando hotéis nas próprias Cinque Terre, dei preferência para Vernazza e Riomaggiore, pela beleza e localização, porém os preços estavam salgadinhos e acima do orçamento. Foi conversando com uma colega de trabalho italiana que surgiu a dica de procurar em La Spezia, Lerici ou Genova.

Genova foi a primeira que pesquisei porém descartei logo de início porque saindo de Roma não parecia muito bom, porém, para quem vem do norte da Itpalia pode ser uma boa opção. Lerici achei um pouco distante, fiquei com medo que pudesse atrapalhar o deslocamento. Para facilitar encontrei um B&B em La Spezia que achei que caiu como uma luva, além de ser muito elogiado no Booking me pareceu bem localizado e depois constatei que realmente era.

Era um pouco distante da estação de trens, isso eu conseguia ver pelo google maps porém não sabia se seria um problema e, como pude constatar depois, não foi. O fato da cidade ser plana ajudou bastante. Fora isso era próximo do centro, ótimo para acessar os restaurantes e fazer caminhadas no final do dia, perto do porto para passeios de barco, e também, isso descobri no último dia, da parada de ônibus para Porto Venere.

O B&B se chama Residenza Viani Guest House. Gostei bastante. Tudo muito limpo, moderninho, mesmo estando em um prédio bem antigo que está sendo formado, e de bom gosto. De qualquer forma é importante equalizar a expectativa, é B&B  não um hotel. Ficamos com a chave da porta da entrada do prédio, do apartamento e do nosso quarto o tempo todo e só vimos o dono do B&B no dia em que chegamos e no dia em que fomos embora. Ainda bem que fizemos todas as perguntas na hora do check-in, ele foi muito prestativo e deu várias dicas.

Andar do prédio onde se localizada o Residenza Viani Guest House

Gostei bastante de uma coisa que não é muito comum em B&B’s, pude pagar com cartão de crédito. Como eram poucos dias não tivemos serviço de quarto e também não tinha café da manhã apenas uma dica de que um bom lugar para o café seria a cafeteria/bar em frente ao prédio e realmente era. Aqui relembro uma constatação minha: é praticamente impossível tomar um café ruim na Itália. Ah, quando falo café me refiro à bebida em si. Quem acompanha o blog sabe que sou coffee addict.

Corredor(entrada) do B&B

Corredor(entrada) do B&B

O único inconveninente foi a questão das malas, após nosso check-out não nos deixaram deixar nossas malas no B&B. Nos disseram que o lugar para isso seria também o bar da frente. Achamos estranho mas como não tínhamos opção fomos até o bar e solicitamos o serviço, ao menos já nos conheciam, tínhamos tomado café da manhã alí os 3 dias 🙂

A atendente do bar disse que não tinha problema e nos disse para deixar as malas em um canto. Isso mesmo, um canto aberto, sem porta onde qualquer um que entrasse no bar tinha acesso. Sem escolha, deixamos 😦 afinal ainda tínhamos um dia inteiro pela frente.

Como Chegamos na Cinque Terre?

Essa foi mais uma viagem que fiz com a TrenItalia. Na verdade a TrenItalia foi praticamente minha inspiração. Queria muito conhecer as Cinque Terre porém depois da enchente que ocorreu em outubro de 2011 e que causou muitos estragos fui adiando, ficava com medo de investir e não ter retorno. Assim, quando consegui comprar passagens a 9 euros por pessoa, não pestanejei pois o investimento muito pequeno.

Achei que essa foi a viagem de trem mais bonita que já fiz pela Itália. O trem nesse caso era um FrecciaBianca o que fez essa viagem de Roma à La Spezia, 400 kms, durar 3 horas e 20 minutos. O que mais gostei foram as paisagens. Logo ao sair de Roma se pára em Civitavecchia onde já é possível ver o mar, mais adiante se cruza a Toscana com aquelas paisagens bucólicas lindas que não tive a oportunidade de ver nas vezes em que fui à Firenze (de trem). Para finalizar, logo ao se entrar na Liguria, se avistam de um lado o mar e do outro as montanhas. Muito bacana!

Para quem gosta de viagem de trem está aí uma bela dica, ir de Roma à Pisa e não de Roma à Firenze pode ser uma boa opção para se acessar a Toscana. A idéia seria de chegar em Pisa, passar o dia por alí e seguir no final do dia para outro destino. Ah, as Cinque Terre também são um belo day-trip para que está em Pisa.

O Roteiro

O roteiro desenhado tinha um “se”. O plano era dedicar o primeiro e segundo dias às Cinque Terre e o terceiro à Porto Venere. O “se” da questão era que só iríamos à Portofino se sobrasse um dia, resumindo, se conseguíssemos conhecer todas as Cinque Terre em um único dia.

Chegamos em La Spezia às 10 da manhã, fomos ao hotel, fizemos check-in e às 11:30 já estávamos de volta à estação de trens para pegar o trem local que faz o circuito das Cinque Terre. Não esperamos nem 5 minutos pelo trem que chegou lotado e saiu mais ainda. Muitos, mas muitos turistas!!! Foi o trem mais cheio que já peguei na Itália, tirei até uma foto para registrar. Ah, cogitamos ir de barco porém não era possível porque o mar estava agitado naquele  dia e ficou assim todo o final de semana. Para facilitar compramos na estação de trens o passe Cinque Terre, que recomendo para faciliar a logística (falo um pouco mais sobre ele no post sobre Riomaggiore) e, começamos a explorar.

Convalidando o Cinque Terre Card

A "lotação" do Trem:.Muitos, mas muitos turistas! Poucos, quase nenhum Brasileiro!

A “lotação” do Trem:.Muitos, mas muitos turistas! Poucos, quase nenhum Brasileiro!

Em 7 minutos estávamos em Riomaggiore, a primeira das 5Terre para quem saí de La Spezia. Da estação, subimos até a parte mais alta da cidadezinha e depois descemos até o nível do mar. Seguimos até a próxima cidade (Manarola) pela famosinha trilha Via dell’Amore. Foram um 15 minutos de caminhada tranquila com pausa para fotos.

Via dell'Amore

Via dell’Amore

Via dell'Amore

Via dell’Amore

Acessamos Manarola por cima e fomos mais uma vez descendo até o nível do mar. Na estação de trens de Manarola encontramos uma área de informação turística boa e alí ficamos sabendo que a trilha para acessar Corniglia, na verdade toao a trilha azul que liga as cidades no nivel mais baixo, o do mar, ainda estava fechada devido às chuvas de out/2011. Assim, fomos até Corniglia de trem. Novamente, em poucos minutos estávamos lá.

Mapa Turístico com os pontos de interesse da região

Mapa Turístico com os pontos de interesse da região

Na foto acima é possível ver os “X’s” que a menina do centro de informações fez sobre a trilha azul, que queríamos pegar, ainda fechada de Manarola à Corniglia e de Corniglia à Vernazza.

Manarola

Manarola

Corniglia é a única das 5Terre que fica no alto por isso, logo ao sair do trem, já é possível identificar um ônibus que faz o trajeto da estação ao centrinho da pequenina cidade. Li na internet que a cidade era de difícil acesso porque era necessário subir os degraus da estação até a cidade porém, o serviço de ônibus resolve esse problema. Corniglia de todas é a menor, caminhamos pelas lojinhas, paramos para um snack (algo parecido com um pastel, preciso descobrir o nome, que não me lembro mais, foi a coisa mais próxima de pastel que cheguei em dois anos :), vimos alguns mirantes e voltamos à estação.

Ônibus que faz o trajeto da estação ferroviária à Corniglia

Ônibus que faz o trajeto da estação ferroviária à Corniglia

Corniglia

Corniglia

Nesse momento eram aproximadamente duas  e meia da tarde e assim, decidimos que iríamos até Vernazza e que terminaríamos o dia em Monterosso al Mare, para um aperitivo à beira-mar.

Vernazza

Vernazza

Mais detalhes e fotos sobre cada uma das 5Terre e sobre os estragos causados pelas chuvas, principalmente em Vernazza, vou postar depois.

Acho importante deixar relatado de que foi tranquilo conhecer todas as cidades no mesmo dia. Ok, não fizemos nenhuma trilha além da caminhada pela Via dell’Amore, não pegamos praia porque ainda não estava tão quente para isso, não fizemos grandes paradas mas não passamos correndo pelas cidades (sempre atentos aos horários dos trens) e fora isso retornamos tarde à La Spezia, por volta das 20:30 horas. Porém, ainda assim deu para conhecer bem. Para fechar com chave de ouro o ideal teria sido ter retornado de barco e poder ter visto as cidades do mar. Infelizmente o mar não permitiu!

Monterosso

Monterosso

Com o primeiro dia todo dedicado às 5Terre, no segundo conseguimos fazer o mais longo dos bate-e-voltas, fomos até Santa Margherita Ligure e de lá até Portofino. De La  Spezia foi 1 hora em trem regional até Santa Margherita Ligure e, da estação de trens pegamos o ônibus até Portofino. Ficamos umas 2 horas em Portofino e voltamos para Santa Margherita onde ficamos mais algumas boas horas. Naquele dia voltamos à La Spezia à tardinha ainda à tempo de aproveitar uma feirinha de produtos locais que estava rolando no porto.

Portofino

Portofino

O terceiro dia foi o mais tranquilo. De ônibus de hotel à Porto Venere foram 20 minutos. Tanto a parada do onibus quanto o local onde compramos os bilhetes eram muito próximos do hotel. Porto Venere é lindinha, um gioiello e merece uma visita. Alí fizemos tudo com muita calma, o tempo praticamente parou. Ao voltar para La Spezia ainda precisamos fazer um tempo no café onde tinham ficado nossas malas porque nosso trem de volta só partia às 19.

Portovenere

Porto Venere

La Spezia também foi uma surpresa da viagem, falei sobre ela nesse post aqui, que foi o último desta série.

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